Trends and Developments in Biodiversity Informatics

Flora brasiliensis Revisited

The current situation in Brazil: general strategies, regional differences, local floras, state-level floras and herbarium databasing
Ariane L. Peixoto (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro - ariane@jbrj.gob.br) and Maria Regina de V. Barbosa (Universidade Federal da Paraíba - mregina@dse.ufpb.br)

Brazil is considered to be the most biodiverse country on earth. It is estimated that the Brazilian flora contains 50 to 56 thousand known species of Angiosperms. The high diversity and richness of the flora, together with the limited number of active scientists, have made progress in taxonomic research and biological inventories very difficult. This situation has become more critical given the speed with which ecosystems are being destroyed and the long time scale required to train taxonomists, especially in large tropical groups. In this context, biological collections represent an indispensable resource of material and data about this diversity. Although the number of specimens (approx. 4.7 million) deposited in the botanical collections of Brazilian institutions do not adequately represent all of the diversity of the flora, they certainly bear witness to its richness. The representativity of the collections is, however, quite different in different regions of Brazil (North - 609,000, Northeast - 553,000, Center-West - 399,000, Southeast - 2,227,000, South - 867,000). The South-eastern and Southern regions concentrate the largest numbers of herbaria and researchers and consequently have collection indices that can be considered satisfactory for the production of Floras.

In 1993, through an initiative of the Botanical Society of Brazil, it was decided that the most adequate strategy for the production of a Flora for Brazil would be the production of Floras at state level, in a format that could begin with a species list. Several state-level flora projects are currently under way, some quite advanced while others are only beginning or at the stage of initial discussion and planning. The Southern region has the oldest and most advanced projects. The taxonomists responsible for these projects are predominantly Brazilians, although there are contributions by specialists in tropical plants from several countries. Brazil currently has 18 Masters and 14 Doctoral level courses in botany. These courses are making a significant quantitative and qualitative contribution to the scientific growth of the country.

In spite of all the advances achieved up to now, several actions are indispensable if the country is to honour the commitments agreed to in the Biodiversity Convention and in different national and international venues. Amongst these we would emphasize: creation of mechanisms to maintain researchers in regions that currently have a deficit in taxonomists; continue investing in training of human resources for work in taxonomy and floristics; databasing scientific collections to make data available, especially in the form of species lists; improve the quality of identification and increase collecting activities in areas that are not or poorly represented in current collections; stimulate the development of state-level floras and the publication of species lists, keys and synopses for taxonomic groups.

Versão em Português

O Brasil é considerado o país de maior diversidade biológica. Estima-se que na flora brasileira existam cerca de 50 a 56 mil espécies conhecidas de Angiospermas. A alta diversidade e riqueza da flora, associadas ao pequeno número de cientistas em atividade tem dificultado os estudos taxonômicos e os inventários biológicos. Esta situação torna-se mais crítica diante da rapidez com que estão sendo destruídos os ecossistemas e do longo tempo que se leva para formar um especialista em taxonomia, principalmente nos grandes grupos tropicais. Neste contexto, as coleções biológicas representam um inestimável acervo de materiais e de dados sobre esta diversidade. O número aproximado de exemplares depositados nas coleções botânicas de instituições brasileiras (4,7 milhões), embora não represente toda diversidade da flora, sem dúvida certifica sua riqueza. Esta representação entretanto é diferenciada nas distintas regiões brasileiras (Norte - 608.700, Nordeste - 553.222, Centro- Oeste - 398.715, Sudeste - 2.227.350, Sul - 866.800). As regiões Sudeste e Sul concentram os maiores quantitativos de herbários e pesquisadores, e conseqüentemente apresentam índices de coleta que podem ser considerados satisfatórios para a elaboração de Floras.

Em 1993, por iniciativa da Sociedade Botânica do Brasil, decidiu-se que a estratégia mais adequada para a elaboração da Flora do Brasil seria a realização de floras por unidade da federação, num formato que poderia se iniciar pela listagem das espécies. Existem atualmente diversos projetos de floras estaduais em curso, alguns bastante avançados, e outros começando ou em discussão para elaboração dos projetos. A região Sul tem as floras iniciadas há mais tempo e em estágio mais avançado. Os taxonomistas responsáveis pela execução dessas Floras são predominantemente brasileiros, entretanto, há a colaboração de especialistas em plantas tropicais de diversos países. Além dos pesquisadores vinculados às universidades e institutos de pesquisa, os cursos de pós-graduação têm contribuído com um número significativo de novos taxonomistas, que estão atuando na elaboração de Floras. O Brasil conta atualmente com 18 cursos de mestrado e 14 de doutorado na área de botânica. Estes cursos, vêm contribuindo significativamente para o crescimento da produção científica do país, quantitativa e qualitativamente.

Apesar de todo o avanço alcançado, algumas ações são indispensáveis para que o país possa cumprir os compromissos assumidos na Convenção de Biodiversidade e em foros nacionais e internacionais na área biológica. Dentre essas ações podem ser destacadas: criar mecanismos para a fixação de pesquisadores nas regiões onde os quadros são deficitários; continuar investindo na formação de recursos humanos para trabalhos em taxonomia e florística; informatizar as coleções científicas tornando os dados disponíveis, principalmente na forma de listas de espécies; melhorar a qualidade da identificação e ampliar as coletas, direcionando-as para áreas pouco ou não representadas nas coleções; estimular o desenvolvimento das floras estaduais, incentivando a publicação de listas de espécies, chaves e sinopses de grupos taxonômicos.


Organization:
Depto. Botânica, Instituto de Biologia, Unicamp
Centro de Referência em Informação Ambiental

Sponsorship:
Global Biodiversity Information Facility, GBIF Sistema Integrado de Informação Taxonômica, ITIS*Brasil Species 2000 International Working Group on Taxonomic Databases, TDWG U.S. Geological Survey, USGS Petrobras Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp Conselho Nacional de Pesquisa, CNPq Ministério da Ciência e Tecnologia, MCT